domingo, 7 de julho de 2013

Arquitetura brasileira vista por grandes fotógrafos



Domingão ensolarado e seco em São Paulo, dia de andar e vivenciar o que está cidade tem de melhor: sua diversidade e infinidade de eventos. Depois de saciar a gula na Feira Gastronômica O Mercado, que estava no Mercado de Pinheiros,  o destino seguinte foi o Instituto Tomie Ohtake.

O Tomie está com 4 exposições em cartaz, duas de fotografias: "Arquitetura brasileira vista por grandes fotografos" e "BES Photo 2013".


Ícones da arquitetura brasileira, do século XX ,registrada por 27 fotógrafos, as lentes de Cristiano Mascaro, Thomaz Farkas, Bob Wolfenson, Nelson Kon entre outros revelam 18 projetos que tiveram grande influência no país e  no mundo.


Uma sala da exposição e totalmente dedicada a escadas e rampas, verdadeiros desafios para os arquitetos são documentados em toda sua devastadora beleza pelos fotógrafos.


"Essa exposição é dedicada aos fotógrafos que nos ajudam a descobrir, apreciar e eventualmente amar a arquitetura, e ao público que, cada vez mais, tem demonstrado identificar a fotografia e a arquitetura como duas manifestações artísticas mais marcantes do século XXI"
André Corrêa do Lago - Curador da exposição.


A exposição está em cartaz no Tomie Ohtake até o dia 21/07/2013, vale a pena!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Maria de Medeiros com Pássaros Eternos em São Paulo

No meio de um preguiçoso feriado prolongado, li que Maria de Medeiros iria apresentar no SESC Santana o seu novo trabalho "Pássaros Eternos, arrisquei-me ir até a uma unidade SESC é bingo!! consegui comprar os convites. O show seria apenas esta semana, a partir do dia 7/6 ela continuará no SESC mas como atriz, na peça "Aos Nossos Filhos" junto com Laura Castro e direção de João das Neves.

Maria de Medeiros é muito versátil, atriz, cantora e cineasta, tem no seu currículo clássicos como ter sido atriz de "Pulp Fiction '( Tarantino ) , dirigido e atuado em "Capitães de Abril" e com Pássaros Eternos soma 3 trabalhos na sua discografia.



Pássaros Eternos é Maria de Medeiros compositora, quase todas as faixas são de sua autoria, e ela vai deixando sua marca, a crise europeia aparece nos seus versos, em "Nasce o dia na cidade"

" Agora cortam as verbas
  Agora somem salários
  Agora caem as bolsas
  E choram os milionários
  Agora fecham fronteiras
  Agora buscam culpados
  Agora içam bandeiras
  E crescem os indignados"

Mesmo quando utiliza a sutileza do  poema "Por delicadeza" , de Sophia Andresen, a imagem fica presente:

"Juventude ociosa
 Por tudo iludida
 Por delicadeza
 Perdi minha vida"


"Trapichana"  é a saga de um andaluz seduzido pelos trópicos, onde virou carioca e mistura a guitarra flamenca com os rojões pelo Flamengo, mas quando bate a saudade:

"Ai o Trapichana não se engana
E é nos braços de café de uma Ana
Que ele dança o samba e sapateia Olé!"

E termina de forma surpreendente fazendo uma releitura de um clássico punk, "Should I Stay or Should I Go", do The Clash.



Esse alimento fino para alma que é Pássaros Eternos conta ainda com diversas ilustrações, destaque para iraniana Marjane Satrapi, autora de Persépolis, que ilustra a faixa "Noite" uma homenagem a Madrid, que Maria estende também a Baixa Augusta.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

SP Arte de Rua e Espaço Urbano


São Paulo é um espaço urbano em eterna disputa. Vibra, pulsa e apaixona os fatos e as contradições que são vivenciadas nesta cidade.

O MAM, no Parque do Ibirapuera, realiza uma bela exposição sobre a obra de Alex Vallauri, um pioneiro na arte de rua, que deixou suas marcas nos muros de SP nas décadas de 70/80 do século passado.


 A partir de Vallauri em São Paulo criou uma verdadeira escola de grandes grafiteiros, muitos com reconhecimento internacional,  adoro Osgemeos, Zezão e Daniel Melim , cada um  com seu estilo deixa marcas artísticas na cinza cidade.


Sempre essa relação dos artista com a cidade esbarra no poder público, que  com sua incompetência e ignorância apaga as marcas que alegram a cidade.






 Imensa contradição: enquanto o espaço fechado de um museu homenageia  o grafite, nas ruas a perseguição ainda continua. Bola fora Prefeito!




" O grafite é feito para ser visto nas ruas, em movimento e sem muita atenção. O grafite deslocado para uma exposição fechada propõe outro diálogo com o espectador e, no recinto fechado, as obras tornam-se audaciosas e críticas." 
Alex Vallauri


quarta-feira, 1 de maio de 2013

MAC no antigo prédio do Detran



Demorei muito para ir conhecer o novo endereço do Museu de Arte Contemporânea da USP, agora instalado no antigo prédio do Detran. Aproveitei a abertura de duas novas exposições para conferir suas novas instalações.

"Di Humanista" reúne 67 trabalhos de Di Cavalcanti e "O Antes, O Agora" sintetiza obras consagradas do acervo do museu, com Anita Malfatti ( A Boba, imagem acima ) , Tarsila do Amaral, Cildo Meireles, Picasso, Modigliani e etc...Leituras interessantes proporcionada pelo curador Tadeu Chiarelli.

Tenho que reconhecer que mais deslumbrou neste primeiro encontro do MAC na sua nova sede foi o terraço do oitavo andar do prédio, com uma deslumbrante vista para a cidade. Revelando o cafezal do Instituto Biológico, um cenário de contraste uma exuberante vegetação, emoldurada pelos prédios da região, onde projetistas buscam a vista do Ibirapuera como as plantas buscam o sol.


Observar por outro ângulo as curvas da Marquise do Ibirapuera conectando o prédio da Bienal, a Oca e o Auditório, as formas de Niemeyer e suas curvas saltando no meio da vegetação e da opressiva quantidade de carros estacionados no Parque.


O terraço da nova sede do MAC - USP tem tudo para virar um fascinante miradouro de São Paulo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vieira da Silva e a Revolução dos Cravos


Nesta semana que comemorou-se 39 anos da Revolução dos Cravos, em Portugal, tive acesso por acaso a dois trabalhos de Maria Helena Vieira da Silva, publicados pela loja retrô lusitana "A Vida Portuguesa" : Poesia esta na Rua I e II.

Pouco conhecida no Brasil, Vieira da Silva viveu no Rio de Janeiro  na década de 40 fugindo dos horrores da guerra e do fascimo de Hitler e Salazar.


No período que morou no RJ sua arte abstrata ficou sem decodificação para o Brasil dos anos 40, o modernismo brasileiro nas artes plásticas era figurativista e extremamente nacionalista, a novidade produzida pela arte de Vieira da Silva só aportaria por aqui nos anos 50.

Relacionou-se com escritores brasileiro, principalmente Cecília Meireles e Murilo Mendes e a principal marca de sua passagem pelo Brasil foi um imenso painel de azulejos na Universidade Rural do Rio de Janeiro.

Em 2007 o MAM SP organizou uma bela exposição que resgatou a passagem de Vieira da Silva pelo Brasil, com mais de 120 obras a exposição teve curadoria de Nelson Aguilar.


Para descobrir mais o mundo da pintora Vieira da Silva acesse o link da Fundação Arpad  Szenes - Vieira da Silva:

http://fasvs.pt/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Manufactura de Tapeçarias de Portalegre





 Visitei a exposição "A Arte da Tapeçaria - Tradição e Modernidade" , na Galeria de Arte do SESI,  no Prédio da Fiesp ( Av. Paulista, 1313 ) e descobri um mundo encantador de parceria entre o artista, o desenhista e as tecedeiras.

No interior de Portugal, mais precisamente em Portalegre, no Alentejo, foi fundada em 1.946  a Manufactura de Portalegre, a tapeçaria de Portalegre com sua técnica de tecelagem própria produz obras de arte únicas, junção da criatividade dos artistas convidados para o desafio desta técnica, que produzem imagens originais, que serão ampliadas pelo desenho técnico e a pericia das tecedeiras, que transformam com rigor o desenho orignal na obra final tecida numa escala muito maior. A obra finaliza com o artista convidado reconhecendo e assinando a tapeçaria como sua obra.




A exposição apresenta 48 trabalhos de diversos artistas, entre eles, Burle Marx (imagem acima), Almada Negreiros, Vieira da Silva, Álvaro Siza, Júlio Pomar, Le Corbusier ( imagem abaixo), etc.


Dois artistas contemporâneos chamam atenção: a portuguesa Joana Vasconcelos e o brasileiro Vik Muniz. Joana produziu "Ave do Paraíso" uma releitura de um símbolo de Portugal, o Galo de Barcelos.


Vik fez um percurso transgressor, um processo inverso do tradicional, com base em uma pequena peça de tapeçaria ( de 25 cm x 20 cm )  produziu uma imagem dessa tapeçaria e ampliou para 250cm x 176 cm recuperando com isso toda a volumetria, textura e a trama dos fios tecidos em Portalegre.



Vale a pena ir à Galeria do SESI na Fiesp, a exposição permanece aberta até 10/03/2013 e a entrada é gratuita.






sábado, 26 de janeiro de 2013

Mineiras II - Casa do Baile - Niemeyer em BH


Segundo dia da visita a BH foi dedicado a conhecer de perto o Complexo Arquitetônico da Pampulha, a contribuição de Niemeyer a paisagem mineira.

A Pampulha é da década de 40 do século passado, portanto antes do Ibirapuera, para um paulistano ver a Pampulha é identificar sinais do que viria a ser nos anos 50 o Ibira.

O Iate Clube, Casa de JK, a Igreja de São Francisco, o Cassino e a Casa do Baile eram os objetos a serem devorados na minha expedição à Pampulha.


O Iate Clube, que hoje é sede do Tênis Clube de Minas, não é aberto à visitação pública, sua contemplação é realizada só de forma externa, observamos aquela embarcação de concreto na Lagoa da Pampulha.

A Casa JK em processo de restauro esta  fechada, portanto para uma observação mais detalhada estão disponíveis a Igreja, o Cassino e a Casa do Baile.

A Igreja de São Francisco, obra de um comunista, lógico que seria motivo de polêmica, a Igreja não a reconhecia como um templo religioso e ficou quase 20 anos a deriva, com risco de demolição, até que passou a ser utilizada para cultos.  Detalhes da Igreja de São Francisco me lembram o Edifício Copan.

 
O Cassino da Pampulha, com a proibição do jogo no Brasil,  foi transformado no Museu de Arte da Pampulha, suas curvas sensuais combinavam com as suas atividades profanas da dança, do jogo e do convívio social da elite mineira.

Meu encanto foi a Casa do Baile, a obra que eu tinha menor informação prévia, construída para ser um restaurante dançante, é uma pequena ilha artificial dentro da lagoa da Pampula.



Uma pequena concha acústica para shows em meio ao paisagismo de Burle Marx.


Uma sinuosa marquise liga a Concha Acústica ao Restaurante.







Impossível não comparar a Marquise da Casa do Baile com a imensa Marquise do Ibirapuera.


O desejo de ser transportado no tempo, para em uma noite de lua cheia, dos anos 40, vendo o prateado da lua  refletido nas águas da Lagoa da Pampulha e a apreciando um concerto na pequena concha acústica da Casa do Baile.