quarta-feira, 5 de junho de 2013

Maria de Medeiros com Pássaros Eternos em São Paulo

No meio de um preguiçoso feriado prolongado, li que Maria de Medeiros iria apresentar no SESC Santana o seu novo trabalho "Pássaros Eternos, arrisquei-me ir até a uma unidade SESC é bingo!! consegui comprar os convites. O show seria apenas esta semana, a partir do dia 7/6 ela continuará no SESC mas como atriz, na peça "Aos Nossos Filhos" junto com Laura Castro e direção de João das Neves.

Maria de Medeiros é muito versátil, atriz, cantora e cineasta, tem no seu currículo clássicos como ter sido atriz de "Pulp Fiction '( Tarantino ) , dirigido e atuado em "Capitães de Abril" e com Pássaros Eternos soma 3 trabalhos na sua discografia.



Pássaros Eternos é Maria de Medeiros compositora, quase todas as faixas são de sua autoria, e ela vai deixando sua marca, a crise europeia aparece nos seus versos, em "Nasce o dia na cidade"

" Agora cortam as verbas
  Agora somem salários
  Agora caem as bolsas
  E choram os milionários
  Agora fecham fronteiras
  Agora buscam culpados
  Agora içam bandeiras
  E crescem os indignados"

Mesmo quando utiliza a sutileza do  poema "Por delicadeza" , de Sophia Andresen, a imagem fica presente:

"Juventude ociosa
 Por tudo iludida
 Por delicadeza
 Perdi minha vida"


"Trapichana"  é a saga de um andaluz seduzido pelos trópicos, onde virou carioca e mistura a guitarra flamenca com os rojões pelo Flamengo, mas quando bate a saudade:

"Ai o Trapichana não se engana
E é nos braços de café de uma Ana
Que ele dança o samba e sapateia Olé!"

E termina de forma surpreendente fazendo uma releitura de um clássico punk, "Should I Stay or Should I Go", do The Clash.



Esse alimento fino para alma que é Pássaros Eternos conta ainda com diversas ilustrações, destaque para iraniana Marjane Satrapi, autora de Persépolis, que ilustra a faixa "Noite" uma homenagem a Madrid, que Maria estende também a Baixa Augusta.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

SP Arte de Rua e Espaço Urbano


São Paulo é um espaço urbano em eterna disputa. Vibra, pulsa e apaixona os fatos e as contradições que são vivenciadas nesta cidade.

O MAM, no Parque do Ibirapuera, realiza uma bela exposição sobre a obra de Alex Vallauri, um pioneiro na arte de rua, que deixou suas marcas nos muros de SP nas décadas de 70/80 do século passado.


 A partir de Vallauri em São Paulo criou uma verdadeira escola de grandes grafiteiros, muitos com reconhecimento internacional,  adoro Osgemeos, Zezão e Daniel Melim , cada um  com seu estilo deixa marcas artísticas na cinza cidade.


Sempre essa relação dos artista com a cidade esbarra no poder público, que  com sua incompetência e ignorância apaga as marcas que alegram a cidade.






 Imensa contradição: enquanto o espaço fechado de um museu homenageia  o grafite, nas ruas a perseguição ainda continua. Bola fora Prefeito!




" O grafite é feito para ser visto nas ruas, em movimento e sem muita atenção. O grafite deslocado para uma exposição fechada propõe outro diálogo com o espectador e, no recinto fechado, as obras tornam-se audaciosas e críticas." 
Alex Vallauri


quarta-feira, 1 de maio de 2013

MAC no antigo prédio do Detran



Demorei muito para ir conhecer o novo endereço do Museu de Arte Contemporânea da USP, agora instalado no antigo prédio do Detran. Aproveitei a abertura de duas novas exposições para conferir suas novas instalações.

"Di Humanista" reúne 67 trabalhos de Di Cavalcanti e "O Antes, O Agora" sintetiza obras consagradas do acervo do museu, com Anita Malfatti ( A Boba, imagem acima ) , Tarsila do Amaral, Cildo Meireles, Picasso, Modigliani e etc...Leituras interessantes proporcionada pelo curador Tadeu Chiarelli.

Tenho que reconhecer que mais deslumbrou neste primeiro encontro do MAC na sua nova sede foi o terraço do oitavo andar do prédio, com uma deslumbrante vista para a cidade. Revelando o cafezal do Instituto Biológico, um cenário de contraste uma exuberante vegetação, emoldurada pelos prédios da região, onde projetistas buscam a vista do Ibirapuera como as plantas buscam o sol.


Observar por outro ângulo as curvas da Marquise do Ibirapuera conectando o prédio da Bienal, a Oca e o Auditório, as formas de Niemeyer e suas curvas saltando no meio da vegetação e da opressiva quantidade de carros estacionados no Parque.


O terraço da nova sede do MAC - USP tem tudo para virar um fascinante miradouro de São Paulo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vieira da Silva e a Revolução dos Cravos


Nesta semana que comemorou-se 39 anos da Revolução dos Cravos, em Portugal, tive acesso por acaso a dois trabalhos de Maria Helena Vieira da Silva, publicados pela loja retrô lusitana "A Vida Portuguesa" : Poesia esta na Rua I e II.

Pouco conhecida no Brasil, Vieira da Silva viveu no Rio de Janeiro  na década de 40 fugindo dos horrores da guerra e do fascimo de Hitler e Salazar.


No período que morou no RJ sua arte abstrata ficou sem decodificação para o Brasil dos anos 40, o modernismo brasileiro nas artes plásticas era figurativista e extremamente nacionalista, a novidade produzida pela arte de Vieira da Silva só aportaria por aqui nos anos 50.

Relacionou-se com escritores brasileiro, principalmente Cecília Meireles e Murilo Mendes e a principal marca de sua passagem pelo Brasil foi um imenso painel de azulejos na Universidade Rural do Rio de Janeiro.

Em 2007 o MAM SP organizou uma bela exposição que resgatou a passagem de Vieira da Silva pelo Brasil, com mais de 120 obras a exposição teve curadoria de Nelson Aguilar.


Para descobrir mais o mundo da pintora Vieira da Silva acesse o link da Fundação Arpad  Szenes - Vieira da Silva:

http://fasvs.pt/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Manufactura de Tapeçarias de Portalegre





 Visitei a exposição "A Arte da Tapeçaria - Tradição e Modernidade" , na Galeria de Arte do SESI,  no Prédio da Fiesp ( Av. Paulista, 1313 ) e descobri um mundo encantador de parceria entre o artista, o desenhista e as tecedeiras.

No interior de Portugal, mais precisamente em Portalegre, no Alentejo, foi fundada em 1.946  a Manufactura de Portalegre, a tapeçaria de Portalegre com sua técnica de tecelagem própria produz obras de arte únicas, junção da criatividade dos artistas convidados para o desafio desta técnica, que produzem imagens originais, que serão ampliadas pelo desenho técnico e a pericia das tecedeiras, que transformam com rigor o desenho orignal na obra final tecida numa escala muito maior. A obra finaliza com o artista convidado reconhecendo e assinando a tapeçaria como sua obra.




A exposição apresenta 48 trabalhos de diversos artistas, entre eles, Burle Marx (imagem acima), Almada Negreiros, Vieira da Silva, Álvaro Siza, Júlio Pomar, Le Corbusier ( imagem abaixo), etc.


Dois artistas contemporâneos chamam atenção: a portuguesa Joana Vasconcelos e o brasileiro Vik Muniz. Joana produziu "Ave do Paraíso" uma releitura de um símbolo de Portugal, o Galo de Barcelos.


Vik fez um percurso transgressor, um processo inverso do tradicional, com base em uma pequena peça de tapeçaria ( de 25 cm x 20 cm )  produziu uma imagem dessa tapeçaria e ampliou para 250cm x 176 cm recuperando com isso toda a volumetria, textura e a trama dos fios tecidos em Portalegre.



Vale a pena ir à Galeria do SESI na Fiesp, a exposição permanece aberta até 10/03/2013 e a entrada é gratuita.






sábado, 26 de janeiro de 2013

Mineiras II - Casa do Baile - Niemeyer em BH


Segundo dia da visita a BH foi dedicado a conhecer de perto o Complexo Arquitetônico da Pampulha, a contribuição de Niemeyer a paisagem mineira.

A Pampulha é da década de 40 do século passado, portanto antes do Ibirapuera, para um paulistano ver a Pampulha é identificar sinais do que viria a ser nos anos 50 o Ibira.

O Iate Clube, Casa de JK, a Igreja de São Francisco, o Cassino e a Casa do Baile eram os objetos a serem devorados na minha expedição à Pampulha.


O Iate Clube, que hoje é sede do Tênis Clube de Minas, não é aberto à visitação pública, sua contemplação é realizada só de forma externa, observamos aquela embarcação de concreto na Lagoa da Pampulha.

A Casa JK em processo de restauro esta  fechada, portanto para uma observação mais detalhada estão disponíveis a Igreja, o Cassino e a Casa do Baile.

A Igreja de São Francisco, obra de um comunista, lógico que seria motivo de polêmica, a Igreja não a reconhecia como um templo religioso e ficou quase 20 anos a deriva, com risco de demolição, até que passou a ser utilizada para cultos.  Detalhes da Igreja de São Francisco me lembram o Edifício Copan.

 
O Cassino da Pampulha, com a proibição do jogo no Brasil,  foi transformado no Museu de Arte da Pampulha, suas curvas sensuais combinavam com as suas atividades profanas da dança, do jogo e do convívio social da elite mineira.

Meu encanto foi a Casa do Baile, a obra que eu tinha menor informação prévia, construída para ser um restaurante dançante, é uma pequena ilha artificial dentro da lagoa da Pampula.



Uma pequena concha acústica para shows em meio ao paisagismo de Burle Marx.


Uma sinuosa marquise liga a Concha Acústica ao Restaurante.







Impossível não comparar a Marquise da Casa do Baile com a imensa Marquise do Ibirapuera.


O desejo de ser transportado no tempo, para em uma noite de lua cheia, dos anos 40, vendo o prateado da lua  refletido nas águas da Lagoa da Pampulha e a apreciando um concerto na pequena concha acústica da Casa do Baile.


Mineiras I - Rock, cerveja artesanal e sustentabilidade

Roteiro

Fim de semana em Belo Horizonte procurando conferir a produção de cervejas artesanais que não chegam em SP, ou seja, fui atrás das que não são engarafadas, do modismo "on tap", o popular chopp ou como eu prefiro "na torneira".

Cenário



Fora do eixo dos botecos mineiros do Savassí, no bairro Prado tem o "Rima dos Sabores" um precioso  bar com muitas qualidades. Ele fica em uma rua tranquila, sem dificuldades para estacionar, nada de flanelinhas ou valets na parada;  um simpático sobrado, com bananeiras na entrada, uma deliciosa varanda e  o principal, cara de casa, estrutura de casa sem grandes invenções arquitetônicas. O mobiliário e a decoração foi produzido em parceria com a ASMARE ( Cooperativa de Reciclagem de BH ) e Leo Pilo , artista plástico que trabalho com material reciclado, ou seja, no Rima dos Sabores as mesas, as cadeiras, poltronas são de conglomerados de Tetra Pak.


No cardápio carnes exóticas ( jacaré, avestruz, rã ), criatividade no tratamento do tradicional mineiro, como linguiça de porco com chantily de mostarda e uma ótima carta de cervejas.

Trilha Sonora

A mistura de rock e cerveja artesanal é forte no Brasil, temos cervejas feitas por bandas de rock ( Sepultura e Velhas Virgens ), cervejarias que prestam homenagem a música ( Camilla Camilla ), "nas torneiras" do Rima dos Sabores conheci a Kud Bier, uma cervejaria, de Nova Lima, que suas receitas são batizadas com clássicos do rock, tomei a God Save the Queen ( Sex Pistols ), uma cerveja Pale Ale saborosa e a  Kashmir ( Led Zeppelin ) uma Indian Pale Ale, um estilo onde o amargo do lupulo é marcante. A torneira da Tangerine ( Led Zeppelin ) estava seca, deixando com vontade de conhecer essa Witti Bier.
Frustração: A fábrica da Wäls em reforma impediu uma visita no berçário de "tantas delícias" e sincronização errada impediu de tomar Saison de Caipira, uma cerveja feita com cana de açúcar e colaboração de Garrett Oliver da Cervejaria Brooklyn e mestre em harmonização entre cervejas e comidas, que só ficou pronta nesta semana, o jeito e procurá-la em sp.